Construção da leitura e da escrita PDF Imprimir E-mail

Do desejo de aprender, que se torna presente na ação de procurar, pesquisar e no próprio exercício do brincar, as crianças pensam, levantam hipóteses e continuam a construir sua interpretação do mundo.
Nesta construção do seu conhecimento, desde cedo a criança aprende a fazer “leituras”. São sinais, índices, marcas, símbolos verbais e não verbais que o homem foi construindo e desenvolvendo para melhor integração com o meio e com os outros.
É interessante percebermos que a humanidade demorou muito tempo para construir um sistema de leitura e escrita; e, observando as hipóteses das crianças, compreendemos que elas repetem este esforço. Esta leitura do mundo se torna muito importante, pois é a partir dela que a criança passa por várias etapas de pensamento e experimenta a escrita, mais como uma representação simbólica do significado que se quer dar, do que propriamente a correspondência de sons e letras.
Aos poucos, começa a perceber que as letras são signos que representam os sons falados, decodificando assim a tão esperada linguagem escrita. Foi observando e trabalhando com crianças em idade pré-escolar (2 a 6 anos) que Emília Ferrero percebeu que desde cedo elas começam a formular e testar hipóteses sobre a atividade de ler e escrever.
Trabalhamos desde o berçário com estas leituras. Quando o bebê segura algum objeto na mão, tenta balançar, chupar ou apertar, conseguindo com estas ações algumas reações interessantes no próprio objeto, está iniciando a leitura do mundo que o cerca; por isso, precisamos estar atentos para oferecer um ambiente rico em situações em que a criança possa pensar, refletir e testar suas hipóteses, para desta forma ler e a construir a escrita. Estamos sempre realizando situações reais de comunicação verbal, para que as crianças possam dizer aquilo que pensam e sabem.
Nosso educador promove o contato com a língua escrita, através do seu uso diário em diversas situações de sala, mesmo antes de a criança ser capaz de, efetivamente, ler e escrever. O ambiente social das crianças também é cheio de estímulos para a sua curiosidade inata (anúncios, revistas, livros, propaganda, cartazes, etc.) e elas procuram entender e interpretar o que vêem.
Já constatamos que, desde cedo a criança pensa sobre a linguagem escrita e tenta reproduzi-la do seu jeito. Os desafios acontecerão, em princípio, a partir de seu próprio nome e na relação deste com o nome dos amigos. Aos poucos, outras palavras significativas dentro do contexto escolar vão sendo acrescentadas como acervo para o desenvolvimento das atividades e para pesquisa pela própria criança.
Começamos o trabalho com a exposição da letra de IMPRENSA MAIÚSCULA, por ser mais definida, simples e clara. No final do Jardim II, introduzimos a letra BASTÃO para a apreciação e reconhecimento, que vem a ser uma letra mais próxima da CURSIVA. A letra cursiva necessita de um controle psicomotor fino mais apurado, sendo apresentada em meados do Jardim III.