Como lidar com a sexualidade? PDF Imprimir E-mail

 

A criança e sua sexualidade - por Crystiani Venuto - Psicóloga

Não há melhor método de educação sexual para a criança do que sinceridade e o amor. A criança é sensível às mentiras, principalmente se vierem dos pais. Se possível os pais devem encarar as perguntas, que muitas vezes os pegam de surpresa, como algo natural da curiosidade do ser humano em desenvolvimento. Elas vão precisar entender e encarar o sexo como algo natural, como parte da vida de um ser, assim como o é a respiração, a alimentação, etc. Mas, para isso é necessário que os pais saibam dialogar com seus filhos de maneira honesta e franca sobre o assunto. Cabe aos pais a educação sexual de seus filhos, por isso, não é possível delegar esta responsabilidade a terceiros, mesmo que estes sejam também contribuintes da educação da criança como no caso da escola. Ninguém substitui os pais nesta tarefa e missão de informar e formar. Temos que lembrar que a inocência não reside na ignorância, mas na pureza do conhecimento. A sexualidade existe no organismo humano desde o nascimento, ou mesmo podemos dizer ainda no ventre materno. A sexualidade não reside apenas no ato de tocar os genitais, mas em toda a extensão do organismo humano, as terminações nervosas estão prontas para transmitir prazer e satisfação. Assim vamos todos passando por ciclos de maturação com etapas precisas que se sucedem no decorrer dos anos.

A masturbação é o primeiro movimento infantil na busca do prazer sexual. A área genital, por ser pouco tocada, é a mais sensível à carícia e, por volta dos 2 anos de idade a criança descobre isso. Manipular os órgãos é uma experiência a qual ela recorre porque proporciona uma sensação gostosa. Com isso, muitos pais se assustam, pois imaginam que o que a criança está vivenciando naquele momento é semelhante ao que nós adultos vivemos, sentimos e percebemos. Atribuir à manipulação genital uma carga erótica que não existe é um grave erro que os pais cometem e acabam por reprimir a masturbação que é natural a todo ser humano. Essa relação com o corpo persiste até a pré-adolescência, quando meninos e meninas, com sensações mais apuradas, já veêm a masturbação como fonte de prazer sexual. Se reprimir as crianças atrapalha seu desenvolvimento sexual, deixar que se masturbem em qualquer local cria problemas para todos, pois não colocar limites nas crianças é um erro que alguns pais, ansiosos por parecerem liberais, acabam cometendo. Por ser um ato de intimidade, a masturbação tem de ser praticada no quarto, no banheiro. Tudo isso deve acontecer com diálogos com os filhos quando a necessidade acontecer.

Com relação a perguntas feitas pelas crianças, deve-se reparar na expressão facial dela e levar em consideração sua dúvida ou curiosidade, bem como a significação verbal de suas perguntas. Os pais devem contar aos filhos sobre sexo e reprodução, pois se não o fizerem, alguém o fará. Não há motivo lógico para esconder as informações a respeito da reprodução e do sexo. Os pais são os mais indicados a explicar. O maior problema é como passar estas informacões. Uma maneira boa de fazê-lo é ter um bom livro que explique de forma didática de acordo com a idade da criança e que tenha gravuras explicativas. Geralmente, quando as crianças começam a fazer estas perguntas, o fazem sobre reprodução e não sobre as sensações de sexo. E não adianta os pais passarem informações em demasia, que vão além do tema que a criança está perguntando porque elas não estão preparadas para absorver tudo. Para tudo tem uma hora certa. E quando ela estiver pronta com certeza irá perguntar. A maioria das crianças querem fatos concretos sobre a fisiologia, sobre quem faz o quê, onde faz, quando e como. Usar os nomes apropriados sem ter medo nem fazer nenhuma expressão de espanto ou cara feia de coisa proibida é o mais idicado. Isso porque pode-se gerar uma aproximação, uma cumplicidade que mais tarde será de grande importância na vida familiar. As respostas devem sempre satisfazer as perguntas feitas de maneira honesta. Acredito que assim pais e filhos estarão construindo uma verdadeira relação de amizade tão necessária nos dias atuais.